ANÁLISE | SHADOW OF THE TOMB RAIDER - Lara Croft BR
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ANÁLISE | SHADOW OF THE TOMB RAIDER

No início deste mês recebemos da Square Enix os códigos para análise antecipada do jogo Shadow of the Tomb Raider, que será lançado para Xbox One, PlayStation 4 e PC no próximo dia 14 de setembro. Confira nossa análise completa e sem spoilers. As screenshots contidas nesse site foram tiradas pela equipe do Lara Croft BR no PlayStation 4.

Shadow of the Tomb Raider começa um ano após os eventos de Rise of the Tomb Raider e encerra a trilogia que teve início com o reboot de 2013. O jogo traz uma Lara Croft mais experiente e que continua sua caça à Trindade e na descoberta da verdade sobre a morte de seu pai. Após uma cena no presente, o gameplay tem início na ilha de Cozumel, 2 dias antes, e a sequência é conduzida pelo local até que Lara chegar ao local onde não resiste e retira a adaga de seu posto, dando início ao apocalipse Maia, o que desencadeia a história principal do jogo. Jonah retorna, mas ele tem um papel mais importante desta vez. Durante algumas partes ele ajuda levantando pedras para passagem e em outras ajudaram a desvendar mistérios ou resolver quebra-cabeças.

Um fato interessante é que o Brasil é mencionado como um possível destino para a aventura, que acaba acontecendo no Peru, local onde se passa praticamente todo o jogo. A série novamente utiliza o sistema de hubs entre as locações e o maior deles, Paititi, é o que guia a maior parte da história e onde os jogadores passarão mais tempo. Conforme já comentamos, este é o maior hub de toda a série e aqui o conceito de mundo aberto é muito presente, então você precisará usar constantemente o mapa ou o Instinto de Sobrevivência para se localizar.

"As últimas horas de jogo apresentam um gameplay mais intenso e com bastante ação, trazendo cenas que deixarão muitos de queixo caído."

Diferente dos jogos antecessores, Shadow of the Tomb Raider prioriza a exploração à ação em boa parte do jogo. Inclusive você não pode utilizar nenhum tipo de arma dentro das cidades. Os hubs estão repletos de segredos a serem desvendados e que já são conhecidos, como relíquias, documentos, criptas, monólitos, entre outros, além das missões secundárias que foram introduzidas em ‘Rise’. Se por um lado isso enriquece a experiência e torna o jogo mais longo e agradável para alguns, por outro é ruim, pois a história é abordada em um ritmo lento e a pressa para impedir o apocalipse Maia parece não fazer sentido quando se fica horas sem ver o jogo progredir. Isso acontece mesmo que o jogador opte por seguir a história de forma linear, sem qualquer missão secundária. Ainda assim, as últimas horas de jogo apresentam um gameplay mais intenso e com bastante ação, trazendo cenas que deixarão muitos de queixo caído, tanto pela situação em que Lara sem encontra, como para o tom emocional do jogo. Um detalhe que chama a atenção e foi muito bem pensado é a evolução do eclipse, que se dá através da tela de carregamento (loading) do jogo. Então mesmo que tenhamos a impressão de que a história está parada, você consegue ver a real evolução através desta tela.

De forma geral o jogo apresenta cenários bonitos e riquíssimos em detalhes, mas não podemos dizer que há um salto gráfico em relação ao antecessor. Infelizmente o poder de processamento dos consoles atuais não é suficiente para que este vasto mundo não deixe de ter algumas texturas em baixa resolução e algum serrilhado, especialmente na cidade de Paititi. Na equipe nós testamos a versão para PlayStation 4 e PC e ambas apresentaram qualidade gráfica similar. De qualquer forma, alguns efeitos de iluminação e a beleza dos cenários fazem os defeitos gráficos parecerem irrelevantes. Independente da limitação gráfica, Paititi é uma cidade viva e até mesmo as missões secundárias apresentam belas animações, com personagens mais bem polidos. As missões também são mais interessantes, com mais NPCs e cada um com seu background.

"Você ouvirá uma selva viva, com pássaros, galhos de árvores balançando, água correndo e tantos outros efeitos que te deixarão mergulhado no mundo do jogo."

Mesmo que graficamente o jogo deixe a desejar em algumas partes, tudo isso é compensado por uma trilha sonora impactante. O compositor do jogo, Brian D’Oliveira, e toda a equipe sonora, fizeram um excelente trabalho não só com a trilha, como todos os efeitos sonoros. Quando você está no meio da selva, a imersão é completa, especialmente se você jogar utilizando fone de ouvidos. Você ouvirá uma selva viva, com pássaros, galhos de árvores balançando, água correndo e tantos outros efeitos que te deixarão mergulhado no mundo do jogo e, em determinados momentos, te deixarão com um pouco de medo, principalmente quando ouvir algum animal selvagem próximo.

As Tumbas de Desafio retornam e, como o nome sugere, estão mais desafiadoras do que nunca. Todas elas envolvem quebra-cabeças mais complexos e aqueles que desativarem todo tipo de ajuda poderão perder bons minutos (talvez até horas) tentando desvendar o enigma principal. Os quebra-cabeças são variados e não mais limitados ao uso de arco e flecha com a corda. As tumbas geralmente são escondidas em locais isolados ou possuem acesso por baixo d’água e o jogador não cruzará com muitas seguindo o caminho principal. Muitas delas são descobertas através das missões secundárias, mas ainda assim é preciso explorar. Ao completar cada tumba o jogador é presentado com alguma habilidade adicional.

O combate recebeu algumas melhorias, como o uso das misturas herbáceas que fornecem maior percepção, concentração ou resistência. O jogo segue o mesmo padrão de 4 armas que vem desde 2013 – arco, pistola/revolver, escopeta e rifle – com pequenas variações dentro destes modelos, que, particularmente, não justificam a ida a um acampamento para troca. Cada arma possui ainda uma função secundária, com munições que podem ser criadas por Lara, como as já conhecidas flechas flamejantes e granadas venenosas, que são criadas com veneno extraído de aranhas ou besouros e pólvora. Os upgrades das armas são fáceis de se fazer e cenário está repleto de itens para coletar que o ajudarão.

Os inimigos em ‘Shadow’ estão mais fortes, mesmo jogando com uma dificuldade balanceada, e a melhor opção para abate-los é no modo furtivo, que foi aprimorado como o uso da lama, na qual permite que Lara se esconda em paredes específicas, ou impede que os inimigos a vejam utilizando a visão térmica. O combate corpo a corpo é quase inexistente no jogo e, embora Lara possua dois machados, eles parecem não ser fortes o suficiente para derrotar os inimigos com poucos golpes, mesmo que o jogador tenha desbloqueado as habilidades relacionadas. Em modo furtivo a arma principal é a faca, mas também é possível utilizar as flechas aterrorizantes, fazendo com que um inimigo atire no outro, distraí-los utilizado objetos ou pendurando em árvores com a combinação de arco e corda.

No quesito exploração, Shadow vai muito além e traz novas formas de travessia com o uso do machado arpéu, rapel, corrida pelas paredes e a escalada em rochas inclinadas. As polêmicas bordas brancas estão de volta, mas o jogo traz a possibilidade de desativá-las. Aqui vai o aviso: você possivelmente se arrependerá se desativar. Sério. Mesmo que as bordas estejam ativadas, acredite, em certos momentos você terá dificuldade em achar o caminho. O maior destaque para a exploração é, sem dúvidas, a exploração subaquática, que apareceu em Rise de forma tímida e com movimentos limitados, mas que aqui traz ao jogador a possibilidade de explorar livremente, descobrir segredos escondidos e cruzar com as temidas piranhas e moreias. 

"Mesmo que as bordas brancas estejam ativadas, acredite, em certos momentos você terá dificuldade em achar o caminho."

Lara também possui uma lanterna agora, que é ativada automaticamente. Infelizmente a lanterna não funciona muito bem em determinadas áreas, que continuam escuras, enquanto outras a luz reflete demais, chegando a doer a vista.

Os recursos durante todo o jogo são abundantes e você frequentemente ficará sem espaço para armazena-los. A novidade é que nos mercados é possível vender os itens coletados por moedas de ouro, que podem ser utilizadas para comprar armas, roupas (que precisam ser restauradas nos acampamentos), munições, ferramentas para criação e bolsas que aumentam a capacidade de armazenamento. O jogo também possui bastante ouro e pedras de jade que podem ser coletadas e também vendidas.

O Modo Fotográfico transforma momentos de tensão em diversão

Veredito

Shadow of the Tomb Raider representa o fim de uma trilogia e mantém o nível de qualidade trazido desde o primeiro jogo. Apesar da mudança de estúdio, a Eidos-Montréal mostrou que sabe equilibrar exploração e combate, trazendo um jogo que, ao mesmo tempo, se mantém fiel e supera seu antecessor, enquanto incorpora vários elementos que os fãs solicitam há muito tempo e que estavam presentes nos jogos clássicos. A história é bem estruturada, com pequenas falhas, mas sem muitos clichês ou reviravoltas desnecessárias. O mundo do jogo é rico e repleto de locais para explorar. Shadow of the Tomb Raider encerra a trilogia de forma convincente e reforçando o potencial que o reboot ainda possui para os próximos jogos, com Lara se desprendendo de muitas coisas e deixando o passado para traz para, enfim, aceitar seu destino como uma verdadeira Tomb Raider.

Trailer de lançamento

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Sobre o autor

Rui C. Camisão

Administrador e redator. Mora em Florianópolis e é formado em Comunicação pela Estácio Florianópolis.
Seus jogos favoritos são Tomb Raider, Assassin's Creed e Sonic.
PSN ID: iWho-E/Steam: Who-E